A FAO espera triplicar a produção agrícola em 11 distritos moçambicanos, ao disponibilizar insumos e sementes de qualidade, e tirar 19.600 camponeses do ciclo de pobreza e insegurança alimentar.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) disponibilizou 300 toneladas de sementes classificadas para responder às diferentes características agroecológicas das províncias de Manica, Sofala e Zambézia (centro) e Nampula (norte), vendidas de forma bonificada aos camponeses, numa iniciativa financiada pela União Europeia.
Em declarações à Lusa, Walter Oliveira, coordenador da FAO em Moçambique para o indicador da redução da fome nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, refere que a baixa qualidade de produção no país se deve particularmente à falta de acesso a sementes e insumos de qualidade, aliada à fraca educação agrária dos camponeses. “Com o novo sistema, estamos em 11 distritos e temos uma previsão de multiplicar por três a produção, em termos de rendimento por hectare”, afirmou Walter Oliveira no lançamento oficial no país do “voucher eletrónico”, cartão que facilita o acesso às sementes.
O “voucher eletrónico” é um projeto-piloto que disponibiliza dois grupos de cartões para apoiar os camponeses no acesso a sementes de qualidade, através de vendedores de insumos, e assim melhorar o controlo da produção.
O lançamento, ontem, 23 de novembro, coincidiu com as chuvas que deram início à sementeira da agricultura de sequeiro, praticada por quase 90% dos camponeses em Moçambique. “Se a iniciativa for levada para todos os distritos do país, como estamos à espera, o aumento de produtividade vai ser muito grande”, frisa Walter Oliveira.
O cartão eletrónico e o sistema operacional foram desenvolvidos por uma empresa japonesa, e a gestão está a cargo de técnicos nipónicos da Agronegócios para Desenvolvimento de Moçambique (ADM).
24-11-2015
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