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Portugal mantém-se a desperdiçar as condições e os recursos existentes, mas volta a aproximar-se da média global, tendo ultrapassado a Espanha e a média dos países PECO. Em 2014, Portugal subiu doze posições no pilar «Networking e Empreendedorismo», e quatro no pilar «Financiamento», o protagonista da maior quebra registada no ano transato (21 posições).

A COTEC Portugal e a Everis apresentaram os novos Indicadores de Inovação, que revelam que, globalmente, Portugal se encontra na 29.ª posição entre os 52 países analisados, tendo subido duas posições relativamente a 2013.
Esta recuperação permite a Portugal voltar a aproximar-se da média global e superar Espanha e a média dos países PECO (Países da Europa Central e Oriental).
- Leia a entrevista com Daniel Bessa, Diretor-Geral da COTEC Portugal: Abrem-se perspetivas na área do fomento do empreendedorismo de base tecnológica
O conjunto de Indicadores do Barómetro de Inovação da COTEC, volta a enquadrar Portugal no conjunto de países Cigarra, classificação que traduz a falta de capacidade de concretização e transformação do potencial de inovação em resultados concretos com impacto económico-social. Da análise ao desempenho em 2014, face ao ano anterior, verifica-se uma subida em todas as Dimensões de análise: «Condições», «Recursos», «Processos» e «Resultados».
A nível de Pilares, destacam-se duas descidas: «Capital Humano» e «Aplicação de Conhecimento». A mais acentuada das duas deu-se no pilar «Aplicação de Conhecimento», não só a nível absoluto, como também a nível do respetivo ranking de países.
Dos 7 indicadores que constituem este pilar, apenas um apresentou tendência positiva face ao ano anterior. O indicador «Taxa de crescimento da produtividade da força laboral» foi o que evidenciou uma maior quebra face ao período homólogo, sendo que, a par deste, os indicadores «Designs comunitários por bilião de PIB», «Patentes EPO (European Patent Office) por milhão habitantes» e «Trademarks requisitados por residentes e não residentes» registaram também descidas consideráveis.
O pilar «Capital Humano» regista em 2014 a sua primeira quebra desde o lançamento dos Indicadores de Inovação, em 2011. Este é, aliás, um dos pilares em que Portugal evidencia maiores carências.
Destacam-se, nas descidas, os indicadores «Doutorados em Ciências & Engenharia e Ciências Sociais e Humanidades entre os 25 e 34 anos», «Participação em formação e/ou aprendizagem ao longo da vida por 100 habitantes, entre os 25 e 64 anos» e «Captura e retenção de talento». Ainda assim, destaca-se pela positiva o indicador «Investigadores de I&D por milhão de habitantes», no qual Portugal ocupa em 2014 a 5.ª posição de entre 52 países.
O pilar que mais se destacou pela positiva foi o pilar «Networking e Empreendedorismo», que vinha em quebra desde o início do Barómetro de Inovação, e conseguiu, com a subida registada em 2014, colocar-se numa situação melhor do que a que apresentava à partida.
Portugal revela também uma subida no pilar «Financiamento», um sinal de recuperação face à enorme quebra registada no ano anterior. Dos 4 indicadores que compõem o pilar, 3 revelaram uma tendência positiva, salientando-se o acentuado crescimento do indicador «Capital de Risco (Venture Capital) em % do PIB». Em sentido inverso, registou-se o ligeiro decréscimo do indicador «Concessão de Crédito Doméstico ao Sector Privado em % do PIB», tendência verificada não só em Portugal, mas na generalidade dos países analisados.
Os pilares «Envolvente Institucional» e «TIC (Infraestrutura e Utilização)», que compõem a dimensão «Condições», revelaram ambos uma subida ligeira face ao ano anterior, sendo que aquele que mais se destacou foi o pilar «TIC (Infraestrutura e Utilização)».
Apesar do crescimento ligeiro da pontuação de Portugal no pilar «Impactos Económicos», o seu posicionamento relativo voltou a degradar-se, sendo neste ano o 48.º dos 52 países analisados. Portugal encontra-se entre os 20% piores países do ranking em 5 dos 6 indicadores que compõem este pilar .
Comparando o desempenho com outros países, verifica-se que Portugal se posiciona abaixo da média da União Europeia, ficando abaixo dos países com dimensão semelhante à sua, sendo a dimensão «Resultados» aquela que mais se destaca pela negativa.
A dimensão em que Portugal apresenta melhores resultados é nas «Condições», o que, atendendo aos resultados obtidos na dimensão «Resultados», é indicador de falta de eficiência e eficácia.
Face aos restantes países da Europa do Sul, Portugal recupera neste ano a melhor posição do lote, assumindo a posição de liderança em todas as dimensões, exceto na dimensão «Resultados», na qual é superado por Itália e por Espanha. De uma forma geral, todos os países da Europa do Sul apresentam melhores «Condições» e «Recursos» do que «Processos» e «Resultados».
A nível de perfis de comportamento, a maioria dos países analisados é classificado como «Abelha» ou «Cigarra». O perfil «Abelha», ou “maduro”, registou a maior subida do ano (de 18 para 23 países), ao integrar quatro países que anteriormente eram «Aranha»: Alemanha, Coreia, Japão e Malta. Esta movimentação é justificada pela perda de equilíbrio entre os blocos «Condições + Recursos» e «Processos + Resultados», evidenciando-se um maior desfasamento entre as duas parelhas de dimensões. Além destes países, a Austrália e a Estónia passaram de «Cigarra» a «Abelha».
Apesar de perder dois dos países já mencionados (Austrália e Estónia), o perfil «Cigarra», ou “desperdiçador”, onde se encontra Portugal, regista um incremento líquido no número de países (de 12 para 15 países), integrando o Canadá (anteriormente «Abelha») e o Brasil, Grécia, Hungria e Rússia (anteriormente «Caracol»).
A Suíça continua a ser o país com o melhor desempenho global, notando-se mesmo um fosso face ao segundo classificado.
No lote dos países considerados «Líderes em IDI» deu-se uma pequena revolução: a Finlândia, Dinamarca, Suécia e Alemanha mantiveram as posições cimeiras, com a Holanda, a Noruega e a Irlanda a ascender a este lote.A consistência nos resultados estende-se ao grupo de países considerados «Seguidores», com presença regular no Top 20 dos rankings de Dimensões e Pilares, onde constam agora os três países “despromovidos” de «Líderes» – República da Coreia, Estados Unidos da América e Reino Unido – além do Luxemburgo, da Islândia, do Japão, da Áustria, da França, da Bélgica e da Nova Zelândia, todos com um bom desempenho global.
A génese do grupo de países considerados «Inovadores Moderados» mantém-se, sendo este grupo constituído essencialmente por países anglo-saxónicos (Canadá e Austrália), países da Europa do Sul (Portugal, Espanha e Itália), pela China e Israel e por alguns outros países do Centro e Leste da Europa (Estónia, República Checa, Eslovénia, Hungria, Eslováquia, etc.).Finalmente, com uma presença assídua nos últimos lugares dos rankings de Dimensões e Pilares mantém-se a maioria dos países da Mercosul e alguns países PECO (Bulgária e Roménia), aos quais se adiciona a Grécia e a Índia, sendo por isso classificados como países que têm um desempenho «Incipiente» em matéria de Inovação.
O Barómetro de Inovação da COTEC disponibiliza informação acerca da inovação em Portugal, através da divulgação de Indicadores de Inovação – que permitem desenvolver análises e apresentações agregadas –, da apresentação de dados sobre a inovação empresarial, nomeadamente práticas de gestão de inovação, e de um painel de líderes dos vários quadrantes da sociedade Portuguesa que emitem as suas opiniões sobre questões de inovação.
O modelo que sustenta os resultados da secção de Indicadores do Barómetro de Inovação da COTEC, desenvolvida em parceria com a Everis, avalia um conjunto de 52 países relativamente ao seu estado e performance no âmbito da Inovação,contemplando 4 Dimensões e 10 Pilares de análise, suportados num total de 67 Indicadores de Inovação.
